sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Chega de Fiu Fiu

O texto é do blog Hoje é dia de Maria , achei interessantíssimo e resolvi compartilhar com Vocês.

Gosto bastante de acompanhar os textos na blogosfera afora e me deparei com uma pesquisa – elaborada pela jornalista Karin Hueck - muito interessante realizada no blog da Olga (thinkolga.com): “Chega de fiu fiu”. Apesar de ter um nome doce e até mesmo fofo, trata de um assunto bem amargo e áspero: o assédio sofrido pelas mulheres.
É triste se deparar com essa dura realidade: 81% das mulheres já deixaram de ir a algum lugar por MEDO de serem assediadas. E o pior? 99,6% das participantes da pesquisa afirmaram já terem sido assediadas. Ou seja, não é um MEDO sem fundamento. É um medo que existe de verdade.
Escuto cada vez mais histórias de diferentes pessoas, relatos cada vez mais aterrorizantes e que me provocam náuseas e tristeza. Milhares de mulheres que muitas vezes se culpam e se perguntam: “Porque aconteceu comigo?” “Será que a culpa foi minha?” “Será que a minha roupa realmente era inadequada?” “Será que eu dei algum sinal sem perceber?” “Será que eu merecia mesmo?”.
Alguns meses após a morte do meu pai eu tive algumas crise de pânico que – graças a Deus e a minha família – não se desenvolveram para uma síndrome do pânico. E uma crise de pânico é o medo na sua forma mais pura e natural: medo por si só. A sensação de desespero e desamparo é tão grande que não desejo isso nem pro meu pior inimigo (e infelizmente, eu tenho alguns). E por experiência própria, ter a vida controlada pelo medo é terrível.


É hora de dar um basta nessas atitudes – machistas ou não, não me importa rotulá-las, que depredam a mulher como ser humano. Não somos apenas um objeto pra ser puxado pelos braços, cabelos ou o que estiver na mão. Não somos um pedaço de carne para saciar a fome de um assediador irracional e ensandecido que não percebe que aquela vítima a sua frente também tem necessidades, desejos e sentimentos.
Há dois anos eu estava em uma festa da minha faculdade com dois amigos. Encontrei um conhecido e fui conversar com ele enquanto meus amigos iam buscar bebida. Após a conversa resolvi encontra-los no bar. Não consegui chegar até lá: levei um forte puxão no braço por um homem que dava dois de mim tanto em altura como em largura. Congelei.
Fiz a cara de brava que minha irmã ensinou (que quer dizer “NÃO” em letras garrafais) e tentei me soltar. Obviamente, não consegui. O cara ficou insistindo que queria dançar comigo e tentava me beijar de todos os jeitos. Meus amigos não estavam por perto e comecei a ficar com cada vez mais medo. Medo de ser obrigada a fazer algo que eu não queria, medo de ser reduzida a vontade dele. Medo: simples e puro.
Respirei fundo, olhei bem nos olhos dele e disse: Eu não quero dançar com você. Me solta agora. E puxei meu braço com tudo. Por sorte, ele decidiu me soltar e partir pra próxima vítima. E eu sei que foi sorte, porque muitas meninas por aí não tem a mesma sorte que eu e acabam se sujeitando a ficar com esses caras para serem “libertadas”.
Meu braço ficou machucado. Eu fiquei machucada. E provavelmente a próxima menina que ele abordou também.
Quando foi que o “não” passou a querer dizer “sim”? Quando foi que se tornou impossível sair em uma festa sem se “machucar” por dentro ou por fora, ou os dois? Quando foi que a nossa vontade deixou de ser levada em consideração? Q
Eu nunca mais quero passar por aquela situação de novo e não quero que nenhuma menina/mulher/ou quem quer seja tenha que passar por isso também. Não quero que ninguém tenha que conhecer o medo em sua forma mais terrível.
Infelizmente, isso não está no meu controle. Tudo o que gostaria de dizer, então é:
Não importa se você foi vítima de violência física, verbal ou emocional. Quando você é assediada, você é a vítima. Não pense que você mereceu ou teve culpa de alguma coisa do que aconteceu com você, porque não é verdade. E o mais importante, denuncie. Faça cara feia. Diga NÃO em alto e bom som. Não finja que está tudo bem, porque não está. Às vezes podemos não conseguir nos defender ou nos livrar de uma situação indesejada, mas é sempre melhor perder lutando.
E pra vocês que foram – e ainda são - responsáveis por tantos sofrimento e violência digo: Vai aprender a conseguir uma mulher de verdade ao invés de se esconder atrás da sua insegurança!

Chega de fiu fiu.
Duda Razzera.

4 comentários:

  1. Obrigada pelo compartilhamento! Adorei! :)

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  2. Compartilhei seu blog na minha fanpage: www.facebook.com/diademariaa

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  3. Oie flor*-* Belo texto!
    Adorei seu blog e já estou seguindo!
    Te convido a conhecer o meu;)

    Beijinhos

    http://jeicinha.blogspot.com.br/

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  4. Eu li o texto do blog da Olga, e inspirado nele fiz um texto sobre mulheres machistas, infelizmente é o pior tipo de machismo, no meu ver, beijos querida, por mais mulheres com coragem para falar o que pensa.
    http://divaspinup.blogspot.com.br

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